Mostra Remue-ménage disponibiliza obras literárias para consulta

por Thaís Seixas em 27/06/2012

O que é feminismo? Qual o papel da mulher no mercado de trabalho? O que mudou nas relações entre homens e mulheres? Questões como estas, amplamente discutidas no mundo atual, norteiam o debate promovido pela exposição Remue-ménage, em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) até 22 de julho. No Lounge – um dos grupos de trabalho propostos pelo coletivo suíço Charlatan, idealizador da mostra -, o público pode conferir e manusear objetos, fotografias e livros escritos em português, inglês e francês, que tratam do tema principal de Remue-ménage. A consulta ao acervo temporário, que funciona na Galeria 1 do museu, pode ser feita de terça a sexta, das 13h às 19h, e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h, com entrada gratuita.

Em prateleiras construídas especialmente para a mostra, estão reunidos clássicos da literatura mundial, escritos por mulheres que fizeram história em épocas distintas, como Clarice Lispector, Hannah Arendt, Simone de Beauvoir e Lina Bo Bardi, além de obras que auxiliam o público a entender a história das mulheres na sociedade, entre elas “Manifesto da mulher futurista”, de Valentine de Saint -Point, “Voto feminino e feminismo”, de Diva Nolf Nazario, e “Mulheres da cidade d’Oxum”, de Antonia dos Santos Garcia.

A estudante Agatha Serra, que visitou a exposição, ressalta a importância da discussão sobre o tema. “Foi importante para mim ver ainda mais de perto a valorização do movimento feminista, que até hoje passa por modificações a favor das mulheres. Achei o espaço do Lounge bastante interessante e incentivador desta discussão”, reflete.

LUTA FEMINISTA – ”Liberdade é pouco! O que eu desejo ainda não tem nome”. Esta frase de Clarice Lispector estampa uma das inúmeros fotos distribuídas entre os livros nas prateleiras, que mostram manifestações feministas em diferentes partes do mundo. Nelas, mulheres seguram cartazes com dizeres “Aborto não deve ser crime”, “Não se cale” e “Direitos reprodutivos são direitos humanos”, entre outros. No local, também estão vídeos, cartazes, flyers, objetos de cunho religioso e sexual e outras referências ao mundo feminino. Enfim, um lugar convidativo para todas as idades e, principalmente, todos os gêneros.

bahiamam.org/?p=5009

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Imagens do Performances no MAM/BA 20/05/2012

Performances : Luis Parras & Priscila Valente Lolata, Marcelo Sousa Brito, Ivana Chastinet, Les Reines Prochaines & Isabelle Krieg

Ivana Chastinet

Churasquinho de maminha, 2012

Luis Parras

Oxalá usa Ekodide, 2012

Marcelo Souza

São elas os homens de hoje?, 2012

Mathis, Zwick, Madörin & Isabelle Krieg

Primeriro Manifesto de grandes artistas, 2012

Photos : Carolina Teixeira, Marcelo Sousa Brito

Imagens do ATELIÊ ACADÊMICO DO PROJETO REMUE-MÉNAGE 14/06 NO MAM/BA

Ateliê Acadêmico Gênero e Diferença : Marcela Antelo, Rebeca Sobral, Ricardo Henrique Resende de Andrade, Evani Tavares, Luis Parras, Marcelo Sousa Brito, Ivana Chastinet, Adailton Santos

O ATELIÊ ACADÊMICO DO PROJETO REMUE-MÉNAGE 14/06 ÀS 19H NO MAM/BA

DEBATES/PERFORMANCES NO MAM

Dando prosseguimento à programação do PROJETO REMUE-MÉNAGE, resultado da parceria Associação CHARLATAN/ MAM/ UNEB, A SÉRIE DE DEBATES/PERFORMANCES DO ATELIÊ ACADÊMICO, REUNE NA QUINTA-FEIRA, 14/06, ÀS 19H, NO AUDITÓRIO DA MAM, artistas, ESPECIALISTAS E PESQUISADORES QUE vão se exprimir SOBRE ARTE CONTEMPORÂNEA E RELAÇÕES DE GÊNERO.

 

DEBATEDORES DO DIA 14/06

A Psicanalista Marcela Antelo

O Filósofo Ricardo Henrique Resende de Andrade

A musicista Laila Rosa

 

INTERVENÇÃO DOS ARTISTAS

Evani Tavares

Luis Parras

Marcelo Sousa Brito

Ivana Chastinet

 

MEDIADOR

O Doutor em Artes Cênicas  Adailton Santos

 

Feminismo a beira do mar

 

Artigo publicado na revista Select

 

Ação é comandada pelo Charlatan, grupo de realizadores culturais suíços

Texto: Nina Gazire

Grupo de curadores suíços e brasilerios ocupam o Solar Unhão com exposição dedicada as questões de gênero

 

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A associação cultural Charlatan tem sua matriz na cidade de Friburgo, na Suíça, mas suas sedes são desterritorializadas. O grupo, fundado por Jean-Damien Fleury, composto de artistas curadores e teóricos da arte, já realizou projetos em diferentes partes do mundo, sempre em parceria com artistas locais das cidades nas quais estão atuando. E por suas configurações sempre se darem de maneira temporária e em variadas situações culturais, uma dos principais objetivos do Charlatan é o de usar a arte para tratar as diferenças de poder que emergem na sociedade globalizada.

Em seu primeiro projeto brasileiro, o tema escolhido foi desigualdades de gênero na contemporaneidade. Tendo como cenário a cidade de Salvador_ a mostra que está em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia_ reúne cinco diferentes curadorias comandadas pelos suíços Jean-Damien Fleury, Esther Maria Jungo, Sarah Glaisen e pelo brasileiro Adailton Santos. Denominada Remue-ménage , expressão francesa que em português se aproxima da palavra “comoção”, aqui, segundo a curadora Sarah Glaisen, significa a possibilidade de arranjos mutáveis e coletivos que definem a prática artística na atualidade. “A mostra é feita de combinações, encontros entre artistas que articulam suas práticas de acordo com a temática proposta e seu contexto cultural”, explica a curadora que selecionou uma programação com mais de 40 vídeos de realizadoras voltadas a questão feminina, entre elas as artistas Pipilotti Rist e Anna Winteler.

Ocupando diferentes espaços do antigo Solar Unhão, localizado à beira mar, 19 artistas suíços e brasilerios, mulheres e homens, se apropriam do antigo moinho de engenho transformando-o em um espaço para arte de cunho feminista. Além da curadoria de videoarte feita por Gleisen, outros quatro eixos apresentam obras em diferentes suportes como instalação, pintura, objetos e fotografia. Sobre a escolha do tema, Glaisen afirma que é primeira vez que o Charlatan trabalha com a temática feminista. Em um projeto anterior, realizado na República Democrática do Congo, o grupo trabalhou com questões como o colonialismo e suas conseqüências permanentes no país africano. “As desigualdades de sexos e o multiculturalismo são questões que estão no centro das ações do Charlatan. O que nos interessa é investigar as desigualdades de discursos e poderes”, continua Gleisen.

O discurso feminista, por exemplo, é o centro da curadoria Podemos Fazê-lo! – We can do it! , de Jean-Damien Fleury. Recolhendo frases e slogans ligados à figura feminina, o curador produziu uma série de flyers, que segundo o texto assinado por ele, “são uma campanha de propaganda destinada a engrandecer a imagem da mulher e desestabilizar o machismo”. Completando a ação, Fleury recolheu depoimentos de mulheres soteropolitanas que comentavam as afirmações presentes nas peças gráficas, cujo resultado é um vídeo exposto próximo a um display onde os flyers podem ser retirados pelo público.

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Fora de Mim é o nome da curadoria comandada por Esther Maria Jungo. A proposta foi a de criar um ateliê “in loco” onde as condições de gênero são questionadas para além dos limites do corpo a partir “dos mecanismos cerebrais que nos permitem extrapolar a nossa consciência, de sair de nós mesmos, a partir de uma abordagem histórica”, declara ela. Destaque da curadoria, é a presença das artistas Muda Mathis, SUS Zwick e Franzi Madorin, membros do coletivo multimídia Les Reines Prochaines. O grupo, que também é uma banda de punk-rock do qual a videoartista Pipilotti Rist já fez parte, atua a mais de quarenta anos tratando a temática feminista de maneira bem humorada, porém não menos séria. “As feminista se levam muito a sério e isso fez com que o termo ganhasse uma conotação ruim durante os anos de 1980 e 1990”, explica a artista Muda Mathis. Para a exposição, as artistas prepararam uma série de fotos onde encenam com ironia situações que ilustram valores considerados por elas importantes para a luta feminista.

No dia 24 de maio, acontece a última parte do projeto, o Ateliê Acadêmico Gênero e Diferença. Com curadoria do artista baiano Adailton Santos, o encontro reunirá artistas e pesquisadores que discutirão a questão do gênero dentro do âmbito das artes. Ainda na Galeria 1 do museu, foi  criado um  lounge pelas artistas Nicole Rechsteiner e Mireille Henry que será um tipo de um gabinete de curiosidades, um espaço artístico e de documentação no qual os visitantes podem não apenas tirar dúvidas sobre a mostra, mas também sobre outros temas da atualidade. Vídeos, fotografias, objetos, livros e computadores com acesso à internet vão auxiliar a pesquisa dos visitantes sobre temas propostos. A exposição Reume-mánage, que ficará em cartaz até o dia 22 de julho, seguirá para a cidade de Friburgo levando a participação brasileira de Maurício Dias e Walter Riedweg, que no momento possuem uma retrospectiva no MAM-Bahia, mesmo local da mostra organizada pelo Charlatan.

Imagens da exposição – Images de l’exposition

Remue-ménage, MAM – Museu de Arte Moderna da Bahia, Brasil

Exposição de 19 de maio a 22 de julho 2012

Ateliê Acadêmico Gênero e Diferença em 24/05, 14/06, 19/07, às 19H, no auditório da MAM

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Galeria 3 : Stéphanie Bächler, Christiane Hamacher, Isabelle Krieg, Fabienne Radi

Fabienne Radi

Amyloïde, cire, métal, 2003, 25 x 15 x 25 cm
Ex-voto (1), fibra de coco, 2004, dimensões variáveis
Ex-voto (2), fibra de coco, 2004, dimensões variáveis
Ex-voto (3), fibra de coco, 2004, dimensões variáveis
A quoi bon, 2002, vários materiais, dimensões variáveis
Always, pintura mural, 2012

Christiane Hamacher

Jasmim, pintura mural, 2012

Isabelle Krieg

(s.t.), instalação, galhos de árvores, cuecas, vários materiais, 2012, dimensões variáveis

Stéphanie Baechler

Fabric project, digital, instalação têxtil, 2012

Photos de Andrew Kemp, Isabelle Krieg e Nicole Rechsteiner

Subsolo : Isabelle Krieg, Fränzi Madörin, Muda Mathis, Sus Zwick

Fränzi Madörin, Muda Mathis, Sus Zwick

Equality, fotografia sobre tela, 2012, 230 x 170 cm
Bond, fotografia sobre tela, 2012, 230 x 170 cm
Definition, fotografia sobre tela, 2012, 230 x 170 cm
Aim To Rule, fotografia sobre tela, 2012, 230 x 170 cm
Dignity And Elegance In Precairesness, fotografia sobre tela, 2012, 230 x 170 cm
Body Truth, fotografia sobre tela, 2012, 230 x 170 cm

The making of, The Golden Landscape of Feminsim, 2012, Videoprojektion

The golden landscape of feminism, instalação, 2012, 150 metros quadrados de cobertor de sobrevivência

Isabelle Krieg

Mostrar os dentes, dentes, LEDs, cabos, 2012, 20 x 30 x 5 cm

Photos de Andrew Kemp e Nicole Rechsteiner